segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE



É estimado que a Depressão afete 5% da humanidade em geral. No idoso, esta enfermidade é considerada a mais comum dentre os transtornos psicológicos, atingindo o índice de 20% nos indivíduos com mais de 60 anos na classe média e 30% na classe mais baixa. Os preconceitos em relação às doenças mentais e à velhice dificultam o diagnóstico e o tratamento. Existe uma idéia errônea bastante arraigada de que a Depressão faz parte da velhice! Não é! Viver com prazer é sinônimo de saúde. A Depressão é uma doença como outra qualquer, e existem muitos avanços em seu tratamento. Os antidepressivos podem re-estabilizar a química cerebral e a Psicoterapia aliada complementa o tratamento.
A Depressão na terceira idade se manifesta de forma diferente que nas demais fases da vida. Os idosos manifestam mais sintomas somáticos e hipocondríacos, possuem menos antecedentes familiares de Depressão e pior resposta ao tratamento. Entretanto, a Depressão na terceira idade não pode se diferenciar do transtorno em outra fase da vida, apenas pelas circunstâncias existenciais específicas da idade. Os sintomas mais comuns na terceira idade são: tristeza, desânimo, insônia, apatia, falta de apetite e dificuldades de memória. Segundo a cardiologista e geriatra Margarete Henriques, o paciente pode apresentar queixas vagas como: fadiga, dores nas costas ou na cabeça e pensamentos de culpa, inutilidade e desesperança.
É importante saber da história pregressa do paciente, se já manifestou algum tipo de transtorno de humor.

FATORES ASSOCIADOS À DEPRESSÃO NA TERCEIRA IDADE:
• Perda do apoio sócio-familiar devido a diferentes fases de vida.
• Perda do status ocupacional e econômico (aposentadoria)
• Declínio físico continuado (maior propensão às doenças e dificuldades de locomoção, memória, agilidade, etc.)
• As doenças degenerativas (Alzheimer, demência senil, Parkinson) mais comuns nesta idade também produzem sintomatologia depressiva.

A depressão nos idosos depende da interação entre fatores ambientais (perdas e incapacitação), constitucionais e biológicos (propensão genética e traços de personalidade) e de suporte social (perda dos vínculos sócio-familiares, das atividades ocupacionais, diminuição do rendimento econômico e isolamento). Alguns autores dividem basicamente em: Depressão Reativa (relacionada mais aos fatores externos) e em Depressão Concomitante com Doenças (Alzheimer, AVC, Parkinson, Câncer, diabetes e cardiopatias); entretanto é difícil especificar o que é causa ou sintoma, sendo que cada indivíduo é único em sua história de vida e no desenvolvimento da patologia.
Existem vários estudos que relacionam o bom humor e os pensamentos positivos a uma melhor saúde e longevidade. Um dos trabalhos mais recentes foi uma pesquisa com homens e mulheres da Universidade de Yale nos EUA. Entrevistas feitas com eles antes e após 23 anos conseguiram constatar que aqueles que tinham idéias mais positivas a respeito de seu envelhecimento viviam a mais cerca de sete anos.
A cultura é considerada um aspecto muito importante no adoecimento dos idosos. O marketing é direcionado às populações mais jovens, o que pode causar uma sensação de inadequação e de que não se pode mais consumir, de que não é importante ou bonito para usufruir determinados produtos da mídia. Sabe-se que por detrás deste esquema existe a condição de que os idosos são considerados “maus consumidores”. Ganham menos ao se aposentarem, consomem menos e precisam mais dos serviços de saúde.
Existem poucos estudos referentes à subjetividade do idoso (como ele se sente, o que percebe de seu envelhecimento). Na percepção de seu envelhecimento há uma diferença de gênero: os homens tendem e perceber mais sua debilidade física (força física, potência eretiva) e as mulheres tende a perceber mais as mudanças em sua aparência (manchas, rugas, cabelos brancos).
O luto relacionado ao cônjuge aparece como evento mais estressante e relacionado à Depressão. Há um aumento nos casos de Depressão e de visitas ao médico após a morte do parceiro.
A estatística ainda revela que os Transtornos Depressivos nos Idosos possuem uma estatística de 10 a 20-27% e quando em situação de internação, este número sobe para 25% a 80%.
A Depressão na terceira idade é questão saúde pública, devendo ser investido por parte do poder público em ações preventivas, curativas, de tratamento e de informação acerca do assunto. Um planejamento da aposentadoria incluindo atividades de lazer, laborais, familiares e relacionadas à rotina de saúde pode auxiliar na prevenção da Depressão nesta faixa etária.
Desejo aqui encerrar esta explanação com algumas palavras de Osho, mestre indiano que desenvolveu a técnica da Meditação Dinâmica: “na verdade ninguém teme a velhice, e sim o estágio seguinte: A morte. E só pode temer a morte quem não soube bem viver a vida”.


BIBLIOGRAFIA
WWW.palavrasdeosho.com – “O medo surge da identificação com o corpo-mente”.

Revista Plenitude – ano 30 nº 184, setembro de 2010 – Depressão na Terceira Idade – Clarisse Werneck

WWW.psiqweb.med.br – Balone, GJ Moura – DEPRESSÃO NO IDOSO.

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